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Cia. EscamboVersão em evolução autoral, com regravação prevista de voz e de trilhas selecionadas.
Canção em que um mendigo imaginário canta ao mundo com humanidade, dor e dignidade, sem caricatura nem sentimentalismo fácil. A gravação ganha ainda mais força com a participação de Bruno, que escolheu essa faixa, contribuiu no arranjo vocal e deixou sua marca de forma muito especial.
CD Cia. Escambo, 1995; letra e cifra nesta página; nova versão em finalização.
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Áudio
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Letra e cifra
Am7 D7 Am7 D7
Am7 Não quero ser bonito,
D7 mas quero ser bem recebido.
Am7 Não quero ser sucesso,
D7 mas quero, humilde, o pão que lhe peço.
Am7 Não quero ser o mais rico...
F/D quero, às vezes, um ombro amigo.
F C Oh oh oh
Am7 Não quero ser perfeito,
D7 mas conhecer os meus defeitos.
Am7 Não quero ser o mais fino perfume.
D7 Nem, do mundo, o estrume.
Am7 Não quero queixo e nariz empinados...
D7 força, apenas, pra estar ao seu lado.
F/D
F
C E álcool na dor.
D/C Fumo na dor.
F/C Riso na dor.
C Oh oh oh.
Am7 Não quero ser adotado.
D7 Queria um pai, uma mãe no passado.
Am7 Não quero te assustar.
D7 Queria alguém, mais que eu, pra falar.
Am7 Não quero estar no seu caminho.
F/D Mas, como bicho, um lugar pro ninho.
F C Oh oh oh
Am7 Não como filosofias.
D7 Só quero as sobras do dia.
Am7 Não quero ser cortejado, não.
D7 Mas quero o sexo que me foi dado.
Am7 Não quero um livro na história.
F/D Me basta um nome, uma idade, um retrato.
F
C
C E álcool na dor.
D/C Fumo na dor.
F/C Riso na dor.
C Oh oh oh.
C G/B
Am7 Devia tentar a morte,
D7 mas o instinto é meu lado mais forte.
F Devia querer o meu canto no mundo,
G7 mas já nasci pela porta dos fundos.
G7(#5)
C Devia sim, devolver seus centavos,
D/C mas só me sai um "Deus lhe pague" decorado.
F/C C Eu quero, eu quero, eu quero gente na dor.
C Na dor.
D/C Fumo na dor.
F/C Riso na dor.
C Oh oh
C G/B
G/B Am7 Álcool na dor.
D7 F7 Riso na dor...
G7(#5) C Oh oh oh oh oh oh.
Análise Harmônica Feita por IA
Longe de um blues tradicional de três acordes, a faixa constrói sua identidade sobre o balanço Lá dórico (Am7 – D7), onde a sexta maior (Fá# presente no D7) evita o peso trágico do menor natural e sustenta a dignidade humana do personagem. Ao fim de cada estrofe, o acorde D7 sofre uma mutação cromática surpreendente para F/D (equivalente a um Dm7 na 3ª inversão, trocando o Fá# por Fá natural) antes de resolver em F → C, deslocando suavemente o centro gravitacional do modo dórico para a relativa maior Dó (C).
No refrão ("E álcool na dor / Fumo na dor / Riso na dor"), a harmonia permanece ancorada sobre um baixo pedal em Dó (C → D/C → F/C → C), gerando a sonoridade lídia/mixolídia da tríade de D sobre o baixo C antes de relaxar em F/C. Na ponte e no desfecho, a entrada da dominante alterada com quinta aumentada (G7 → G7(#5) → C e D7 → F7 → G7(#5) → C) adiciona uma tensão jazzística que coroa o arranjo vocal.
Origem da obra
CD Cia. Escambo, 1995 — participação de Bruno Gouveia (voz e arranjo vocal).
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